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A Mulher Invisível



Tudo foi acontecendo aos poucos. Eu falava e ninguém ouvia.

Eu dizia: "Desliguem a TV, por favor". E... Nada.
Então eu gritava: "Desliguem a TV!".
E depois de repetir várias vezes, eu mesma tinha que desliga-la.


img Eu percebi isso e outras situações.

Meu marido e eu estávamos numa festa há horas.
Eu já estava pronta para ir embora. Eu fui saindo.
Ele estava conversando com um amigo e...
Continuou conversando. Ele nem se virou.

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Foi, então, que eu percebi: Ele não consegue me ver.
Eu sou INVISÍVEL. Eu sou INVISÍVEL.
Eu fui notando cada vez mais.

Eu levava meu filho para a escola e a professora perguntava:
"Jake, quem é essa com você?"
E ele dizia: "Ninguém!"
Ele só tem cinco anos e eu já sou: "Ninguém!"

Numa noite dessas nosso círculo de amizade se reuniu,
Celebrando a volta de uma amiga da Inglaterra.

img Janice contava tudo sobre a viagem e eu olhava as outras mulheres na mesa.
Eu tinha me maquiado no carro, usava um vestido qualquer e meu cabelo sujo
estava com um prendedor velho. Estava me sentindo ridícula.

Janice veio até mim e disse: Eu te trouxe isto".
Era um livro sobre as grandes catedrais da Europa.
Eu não entendi até ler a dedicatória.
"Com admiração, por tudo de bom que você
constrói e ninguém vê."

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Não se sabe os nomes de quem construiu as grandes catedrais.
Você procura, mas só acha: "construtor: desconhecido, desconhecido...".
Eles completaram obras sem saber se jamais seriam reconhecidos.


Há uma história sobre um dos construtores que estava esculpindo
um passarinho que seria coberto por um telhado. Alguém lhe disse:
"Por que gastar tanto tempo fazendo algo que ninguém verá?"
E aqui diz que ele respondeu: "Porque Deus vê!"

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Eles acreditavam que Deus vê tudo. Deram sua vida por obras que
nunca viram concluídas. Algumas catedrais levaram mais 100 anos
para ficarem prontas. Isso é muito mais do que a vida útil
de um trabalhador. Sacrificaram-se dia após dia para não
terem qualquer reconhecimento. Numa obra que não veriam concluída.

Um dos escritores chega a dizer que nenhuma grande catedral será mais erguida,
porque há pouquíssimas pessoas dispostas a tanto sacrifício.

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Eu fechei o livro e era como se Deus me dissesse: "Eu te vejo".

"Você não é invisível para mim".

"Nenhum sacrifício é tão pequeno que eu não veja."

"Eu sorrio ao ver cada bolo, cada botão pregado...".
"Vejo cada lágrima de decepção quando as coisas vão mal."

"Mas, lembre-se: você está construindo uma catedral."
"Ela não ficará pronta durante a sua vida."
"E, infelizmente, você nunca entrará nela."
"Mas se você construí-la bem eu entrarei."


Às vezes, a invisibilidade me afligia. Mas entendi que ela não é a doença que apaga a minha vida.
Ela é a cura para a doença do egocentrismo.

É o antídoto para o meu orgulho. Não importa se os outros não me vêem. Não importa se meu filho não disser a um amigo que for lá em casa: "Você não vai acreditar no que a minha mãe faz: "Ela acorda as quatro da manhã, cozinha, passa roupa...".

Ainda que eu faça tudo isso. Eu quero que meu filho se sinta feliz ao voltar pra casa e diga ao seu amiguinho:
"Você vai adorar ir lá em casa!"

Não importa se os outros não me vêem.
Não trabalhamos para as pessoas.
Trabalhamos pra Deus.
Nos sacrificamos por Ele.

Os outros nunca prestarão atenção, por melhor que trabalhemos.
Rezemos para que o nosso trabalho fique como um monumento para o nosso Deus!


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A mulher invisível